sábado, 29 de junho de 2024

Sobre a certeza

 

Como é especial acreditar. Como é especial confiar no universo e ver chegar até nós tudo o que desejamos, tudo o que sonhamos ter, viver, ser, sem grandes esforços, sem ultrapassar nossos limites, sem nos ferirmos ou ferir os outros, apenas permitindo que o amor cresça aqui dentro e permita que tudo o mais chegue. Isso é maravilhoso e eu estou vivendo isso. Estou vivendo um processo de crer novamente em meus sonhos, em quem eu posso me tornar e me preparando para isso não com a faca no dente, mas me centrando em construir a certeza, o sentimento que vai, ele sim, me colocar para trabalhar bastante, como eu gosto, mas não para lutar contra o mundo. Então a mensagem agora é simples: acredite, acredite que tem muito para contribuir com o mundo, que há muito o que fazer por todos e, consequentemente, por você, e isso é fabuloso.

terça-feira, 5 de setembro de 2023

A vida depois do "felizes para sempre"

 

Você já ouviu falar na jornada do herói? É aquele arco narrativo clássico nas histórias de personagens que, primeiro, estão próximos ao fundo do poço existencial, depois sofrem um solavanco tão intenso que são obrigados a sair de onde estão, por mal, geralmente. Em seguida vivem loucas aventuras (leia essa frase na voz do narrador da Sessão da Tarde) e se tornam o inesperado vencedor da historia, geralmente provocando reflexões nos antigos maiorais que o discriminaram.

Posso afirmar que fiz isso há pouco tempo. Entre gravidez solo, mestrado tão sonhado, diversas formações holísticas e uma vida com o ritmo que eu sempre desejei, fui do ponto "a" ao "b", me tornando o meu exemplo pessoal de que essa jornada acontece sim, e é deliciosa. Sobrevivi aos desafios e retornei feliz e serelepe dessa gincana que a vida me apresentou.

Mas, e depois?

Depois disso tudo, vivi o que não se conta nos "contos de fada", o que vem depois do “felizes para sempre”.

Arranjei um emprego, cuidei da rotina da minha casa, da minha filha, a minha própria. Me ocupei em pagar boletos, em consertar coisas quebradas, em manter a dispensa decentemente cheia. Tive altos e baixos emocionais como antes, e realizei novas travessias transformadores, embora menores e menos intensas do que a que vivi anteriormente.

Percebi que o ciclo de transformação, ou a jornada do herói, se apresenta diuturnamente na nossa vida. Algumas mais radicais, outras, menores, como pequenas pontes que precisam ser erguidas para atravessar veios d’água no caminho, embora despertem emoções intensas, como angustia, medo, aceitação e orgulho.

E cá estou escrevendo sobre isso, como um dia escreve sobre dores imensas. Naquela época, eu implorava por respostas. Hoje, ainda tenho dúvidas, mas me sinto mais preparada para encontrar as respostas.

Minha busca continua sendo por quem sou agora, no momento presente. O desejo de chegar ao próximo nível é o mesmo, talvez, às vezes, com menos dores e não tão longe do degrau que preciso subir. 

É mais fácil se encontrar quando não se está tão perdida, tão distante dos seus próprios limites, construídos através de autoconhecimento e da coragem de virar as costas para o que não faz mais sentido.

E depois dos desafios, retorno para contar o que aprendi. No meu caso, está acontecendo neste momento, ao postar novamente nesse espaço virtual. Aqui, compartilhei meus aprendizados, e vai ser aqui, também, que pretendo contar sobre essa nova jornada que iniciei assim que completei a anterior. E o primeiro ensinamento é esse, que a jornada do herói é, na verdade, uma história sem fim.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Um post para te pedir que não desista da sua autocura.

Um amigo comentou que recebeu alta da sua psicóloga. Achei isso bem curioso, porque faço terapia há mais de 10 anos e nunca fui convidada a seguir meu rumo por ninguém. Há algum problema comigo? Ou com ele?

Durante esse tempo todo, estive lá e cá com diversas técnicas, ferramentas, leituras, terapias, vivências e mais um monte de coisas que iam se encaixando, como um quebra cabeça de peças desconhecidas, uma miríade de respostas que eu conhecia compreender e, por isso, me traziam paz.

Às vezes, eu emperrava numa questão, uma dor que não passava de jeito nenhum, mesmo revisitando ela de diferentes maneiras. Foi assim que conheci a astrologia, o tarô, o Thetahealing, Barras de Access, Constelação Familiar, ou leituras até então desconhecidas, pra entender a danada, jogar luz sobre ela.

Aí, munida de compreensão, eu voltava pra minha terapia renovada, disposta a encarar os outros monstrinhos do meu infinito particular que iam surgir.

O processo de autoconhecimento e de cura das nossas feridas emocionais pede isso, empenho. Não é uma ou outra coisa que vai resolver, mas isso tudo, em momentos diferentes, do jeito que for preciso.

Casa, não nego. Mas, ao mesmo tempo, a gente sente que vai pra outro nível, reconhece outras potencialidades nossas, percebe que está pronta para voos maiores.

Então, cara-pálida, te digo: não desista da sua autocura, do seu processo pessoal, da sua expansão. Vai, continua, conhece outras coisas, se abre! É tão bom sentir que está sendo tudo o que pode ser, e além!

 


segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

 


Como se eu estivesse empunhando uma faquinha de passar manteiga para matar o leão do dia, decidi começar a fazer sessões com os amigos logo depois de concluir o DNA Avançado, algumas poucas semanas atrás. Falei isso para os mais chegados, e o interesse era claro: sejam cobaias, por favor, mas sejam legais comigo!

Eu precisava pôr em prática esse mundaréu de coisas que tô aprendendo, mas havia medo disso saindo até pelo meu suor. É muita responsabilidade acessar os desafios das pessoas, ainda mais com a função de ajuda-las a se curarem, mas eu precisava praticar e, principalmente, aprender a confiar. Então, me joguei.

Dava um post cada atendimento, que já ultrapassaram duas mãos em quantidade, mas preciso compartilhar uma coisa incrível que perpassou todas as experiências. O Theta tem ferramentas lindas, downloads incríveis, procedimentos capazes de curas imediatas e impressionantes, mas senti a necessidade de adotar diversas medicinas que eu sempre usei comigo.

A noção da falta de perdão ali e de como o hooponopono ajudaria, ou que era essencial chorar até esvaziar o peito, ou ainda dar-se um tempo e meditar para que o universo mandasse as respostas certas vieram na minha cabeça de forma muito clara, pois eu já estive no lugar daquelas pessoas, sabia exatamente como se sentiam e, por isso mesmo, como se curarem.

O Thetahealing está me permitindo ligar os pontos das minhas dores e das curas que tive, das medicinas que aprendi e, acima de tudo, ter a chance de botar tudo isso a serviço de quem precisar.


sábado, 5 de dezembro de 2020

SOBRE SER VÍTIMA

 Ei, você, que tenta ser forte, que só quer seguir em frete, que não quer ser vista no chão depois de puxarem seu tapete. Tenha calma, se sente e chore. Você tem esse direito.

Você não tem que ir em frente loucamente para ganhar distância da sua ferida. Essa distância, que é psicológica, vai fazer a dor se esconder e te assombrar nas noites escuras. Então, deixe ela vir à superfície, admita que ela faz parte da tua trajetória, honre a energia que você dispende para lidar com tudo e siga se honrado.

Não tô falando de sentar no trono da vítima e por lá ficar eternamente, apontando o dedo para seus algozes e mandando cortar as suas cabeças; mas sobre chorar quantas vezes doer, lamentar a dor de ter sido violada de qualquer forma, dar-se colo, apoiar-se em si mesma e em quem merecer tua confiança e seguir. Lamber as próprias feridas é um necessário, acredite.

É que às vezes parece perda de tempo, que pouco importa ao mundo as cicatrizes profundas que fazem na gente sem dó, que o mundo não vai parar para ouvir nossos soluços de mágoa. E, pasme, não vai mesmo. Ele vai seguir, mas, como você está nele, um dia depois do outro, você vai se ver em movimento também.

Mas até lá, se abrace, grite a plenos pulmões que aquilo foi uma puta injustiça, não aceite mais nada que te fira, se guarde numa caixinha até sentir as forças voltarem. Dê se o tempo que precisar, procure as medicinas que possam te curar, se poupe de gente que não se importa até se sentir forte de novo.

Não temos controle sobre tudo o que nos acontecesse, mas podemos fazer o melhor possível com o que sobra da gente depois do vendaval.

sábado, 28 de novembro de 2020

SOBRE CONSTRUIR IMPÉRIOS.

Eu já solavanquei muitas vezes no ritmo do mar revolto alheio. Embora convicta sobre o amor sereno que despertava no meu peito, fui jogada de um lado para o outro, me debatendo em inconstâncias, descompromisso, deslealdade, na completa falta de habilidade para amar.

Parecia impossível me livrar daqueles sofrimentos. Me perguntei muitas vezes que outra opção eu teria além da dor da partida ou da angústia em permanecer, embora soubesse claramente que sob toda aquela tempestade, havia muito calor, sorrisos, companheirismo, uma rotina normal entre duas pessoas que transbordavam alguma espécie de amor.

Ainda que despedaçada, escolhi sobreviver e partir, deixando para trás os restos dos sonhos construídos e alimentados juntos. Uma andorinha só não faz verão, e nem fazia o menor sentido continuar ali.

Agora, recuperada, de pé, firme como um farol que revela caminhos a longas distâncias, eu não consigo mais parar. Vou em frente, conquisto novos palmos de terra, ergo meu império e contemplo toda a vastidão de vida. Existem partes minhas por todo o caminho, onde sangrei, chorei, perdoei, até encontrar a paz.

Cada pedaço desse império que eu vejo no espelho, tijolo por tijolo, fui eu mesma que assentei. Um quebra cabeça de sonhos, ações, decisões e mãos abertas para aquilo que não era meu de verdade. As peças se encaixaram uma na outra e formaram algo novo, que eu jamais tinha visto, mas sentia já existir nos meus mais doces devaneios.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

O desafio de ser canal

Eu comecei a escrever por necessidade. Tudo o que trazia para esse mundo era o que ecoava alto no meu coração. Para dores, angústias, frustrações, medos e demais feridas na alma, a medicina possível era a escrita, terapêutica mais que literária.

Nunca gostei de criar personagens, pois o que eu tinha a dizer precisava ser em primeira pessoa. Nenhuma outra voz, com uma bagagem imaginária, ainda que autobiográfica, seria capaz da sinceridade que eu desejava expressar.

Agora que os cortes se fecharam e as cicatrizes se transformaram em vãos por onde minha essência transborda, eu me desafio a ser canal dos verbos que habitam as profundezas de outras almas.

Para isso, eu preciso crescer. Tanto e tão alto que nem sei se sou capaz. Como falar o que a garganta encerra? Que autoridade eu tenho para traduzir em palavras aquilo que está invisível aos olhos de outros, por que insuportável?

Não me pretendo tradutora, porta voz oficial da mensagem alheia. Contudo, sou tão humana quanto todos, sangro e choro, ainda que de formas e intensidades diferentes. Eu enxergo a dor do outro porque ela está em mim também. Somos todos feitos da mesma matéria prima, ainda que o espectro de existências possíveis seja maior do que chego a imaginar.

Empatia. Conhece essa palavra? Existe uma definição muito prática no dicionário, a faculdade de compreender emocionalmente um objeto, mas percebo de outra forma. Para mim, se trata da disposição de escavar em si até encontrar o que rasga o peito alheio, de reconhecer aquilo que habita o coração de alguém para, então, permitir a verdadeira conexão, essências conversando a linguagem do acolhimento.

Eu me abro, portanto, para trazer ao mundo aquilo que emerge de mim quando compartilho da verdade do outro. A minha leitura, o meu gradiente de sentimentos, a minha forma de enxergar as experiências serão a tinta com a qual pintarei a paisagem, que não é minha numa primeira mirada, mas me é familiar, porque humanos somos.

 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

COMO OUVIR O CORAÇÃO


Faz um tempo que me voltei para o meu espiritual, o que não significa, de forma alguma, que resolvi meditar numa montanha. Tenho apenas trazido para a minha vida conhecimentos que sinto serem verdadeiro, mesmo que bastante diferente do que me ensinaram a vida inteira.

Também não são práticas elaboradas, mas pontos de vista e comportamentos simples, que me trazem uma sensação de bem estar imediato e, no longo prazo, se mostram completamente adequados, o que sempre me surpreende.

Para isso, precisei desenvolver a capacidade de ouvir o que meu coração diz sobre as coisas. Se vem um quentinho no peito, é por ali. Causou sobressaltos, é cilada, Bino! Tudo muito didático, sem grandes elucubrações.

Eu não contava, porém, com a dificuldade em saber exatamente o que meu coração quer. Isso é bem esquisito, mas tenho ficado em dúvida sobre as mensagens por detrás das sensações, o que me leva a pensar que passei tempo demais desconectada dele.

Não estou falando dos impulsos para viver isso ou aquilo, das vontades por alguma coisa, dos rompantes emocionais super confusos. Para esses eu dei bastante atenção e ouço claramente o que têm a dizer, porque gritam muito alto e me deixam atarantada, além do arrependimento tardio que provocam.

Agora que estou tentando ouvir o que meu coração diz da forma correta, calmamente, respirações longas para oxigenar a mente, buscando perceber o que meu corpo inteiro indica, vejo que levei gato por lebre muitas vezes.

Não era ele que eu ouvia, mas a minha própria vontade, a da Malu, essa pessoa que vos fala. O ego, posso chamar assim também. Uma instância minha que estava bem conectada aos anseios da vida social, do mundo material, e de tudo o que está diante dos meus olhos.

Porém, essa busca pelo espiritual me fez ouvir uma vozinha muito suave, que não tem a intensão de se sobrepor a nenhuma outra, que dizia o contrário do que eu queria ouvir, para quem eu estava surda. Ela nunca se calou, mas eu não sabia ouvi-la.

Essa voz tem me dito cada coisa assombrosa, e dispara no meu coração sensações tão acolhedoras, conhecidas minhas, das quais eu tinha me afastado, pois me acostumei a ouvir quem gritava mais alto e fazia confusão.

Perceber a essência falando exige mudar de sintonia. Tem mais a ver com sentir, e não gritar; verdades minhas, e não comparações; alegria, e não culpa. Por isso, estou me acostumando com essa comunicação não-violenta, bem diferente da angústia que as outras vozes, aquelas que gritavam comigo e me culpavam por ainda não ter agido, transmitiam.

Os silêncios diários têm deixado meus ouvidos mais preparados para esse contato, ao mesmo tempo em que treino a confiança para reconhecer a serenidade que cada resposta me provoca. Assim, vou aprendendo a linguagem do meu coração, que é manso e não tem pressa de se sobrepor aos demais ruídos, porque sabe que uma hora eu vou voltar para ele.

 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Praticando a crônica... Tarô


Os algoritmos me levaram até o vídeo de uma taróloga especialista em prever os futuros caminhos de cada signo e dali não tive qualquer chance de fuga. Fiquei em pânico, obsessiva e arrependida assim que a primeira propaganda interrompeu os minutos iniciais do audiovisual. Antes de ouvir o muito obrigado da moça, busquei segundas, terceiras, quartas e infinitas opiniões de outros tarólogos, astrólogos, leitores de pó de café, jogadores de runas e adeptos de técnicas que não sei ainda explicar. Todos foram lançados no meu feed, um após o outro, e não consegui me recusar a ver o que tinham a dizer.

A previsão foi que alguém do meu passado viria ao futuro acertar contas e encerrar histórias. Isso me deixou bem preocupada porque não gosto sinto saudades do que me aconteceu preferiria que por lá ficassem. Por arrependimentos? Sim. Por que o futuro está melhor? Também. Não sou saudosa e nem estou esperando por trocos. Prefiro que fiquem com tudo, tomem seu rumo e desapareçam da minha vida. Pagaria mesmo por isso.

À época a inflação era diferente, a Selic estava bem mais valorizada, a gasolina, barata e o dólar não incomodava muita gente. Eu tinha menos auto-estima, mais massa magra, muitas dívidas e nenhum pudor. Para que, então, ascender das catacumbas alguém que não vai me reconhecer com o novo corte de cabelo e nem vai compreender minha mania de só responder mensagem à noite, quando não há mais nada por fazer, nenhum sonho a realizar?

Melhor ficar por lá com as doces lembranças das noites de sexo, o sarcasmo das brigas diárias e a dúvida se eu o mandaria à merda ou pediria que colocasse, de maneira apressada, suas palavras em seu próprio orifício circular corrugado.

A expectativa me provoca gases. A úlcera gritou comigo, em forma de refluxo. Melhor seria nunca ter sabido, nem cogitado o encontro, muito menos ter trazido à lembrança esse ser humano. Continuo assistindo a outros tarólogos e adivinhos. É que a pessoa ainda não reapareceu me pedindo perdão e em casamento, como alguns disseram. Também não veio se arrastando implorando por uma segunda chance, assim como descreveu os advinhos do pó de café. Ainda tem alguns perfis e, só por precaução, vou checar seus dados. Um deles haverá de ser exato. Quem sabe no próximo eclipse.


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Sobre perguntar.

Você sabia que o Universo fala conosco através das perguntas que fazemos?

Faz assim quando quiser saber de algo: 

  • para num canto sossegado
  • respira fundo no mínimo umas 3 vezes
  • se concentra
  • acalma a mente o máximo possível
  • faz a pergunta (pode falar ou só pensar nela)
  • espera, pode ser que a resposta venha no mesmo momento
  • se não, pode ter certeza que ela virá quando menos esperar

É muito fácil saber a melhor solução para os nossos problemas. Basta fazer a pergunta certa e escutar a resposta.

Complicações acontecem. Claro, somos seres humanos.

Podemos insistir em fazer perguntas erradas, como as que começam com “por que” e algumas que começam com “como”. Tipo “por que isso tá acontecendo comigo?!” ou “como el@ pôde?!”.

Sinto informar, mas o universo não é sentimentalista, não trabalha com vítimas, e precisa sinceramente que você pare de espernear e queira saber o que pode fazer para mudar a sua realidade. A sua e a de mais ninguém, a não ser que uma terceira pessoa dependa do seu desempenho, como filhos pequenos.

“Como pode melhorar?”, repete o pessoal do Access Consciencioness o tempo todo e eu adoro. “O que mais eu posso criar?”, “O que tem de verdade/mentira nisso que eu não estou enxergando?”, “O que posso ser/escolher/fazer/gerar/criar hoje que vai me trazer abundância imediatamente?”.

Empoderamento, bebê!

Acredite, é bem melhor do que ficar no trono da vítima, apesar de trabalhoso.

Então eu te pergunto: quais as respostas que, se você tivesse, fariam toda a diferença na sua vida?!

O deserto.

Observe os ciclos.

Num momento, o florescer. Novos encontros, amizades que aquecem, abundância, conforto, segurança e amor. Reconhecemos a a felicidade e a alegria como companheiras.

Depois a estiagem. 

Uma luta constante nos acompanha e o fiel da balança pende para o outro lado, o da chateação, da decepção, tristeza constante, do cansaço físico, emocional e espiritual, da falta.

O que antes foi abundante escasseia e nos damos conta de que os tempos são outros, mesmo que não se saiba o porquê.

É assim pra mim, pra vc, pra moça sorrindo no Instagram: uma constante alternância de altos e baixos emocionais e/ou materiais.

Mas aquela aparente aridez esconde tesouros. Olhando tudo de baixo pra cima, despertamos para as minúcias da vida, para as gentilezas inesperadas, o colorido de sorrisos consoladores, o calor dos abraços de aconchego, o pouco que é multiplicado para ser doado, o esforço a mais para fazer a diferença, a beleza da fé.

Com o tempo, os nossos sentidos se aprimoram para capturar as pequenas atitudes, corriqueiras ações, despropositadas muitas vezes, mas acalentadoras.

Ao atravessar o deserto abertos à possibilidade de que ali existam grandes e transformadoras lições, podemos nos abastecer de novas visões e, depois, compartilhar. 

Portanto, quando avistar o deserto diante de você, tenha certeza de que chegou a hora de ir além.

domingo, 28 de outubro de 2018

Gratidão

Ganhei da minha mãe um quadrinho para colocar no quarto novo da casa nova na cidade nova onde fomos morar. O desenho de uma garotinha tirando um vestido de dentro de um baú antigo, em traços clássicos, sobre a frase “Se quiser encontrar a felicidade não a procure longe demais”. Ensinamento materno para a vida nova que eu acabara de começar.
Alguns anos depois, fui morar em outra cidade a 5 mil quilômetros de distância daquele quadro e talvez tenha contrariado a sua recomendação, mas nunca a esqueci.
O tempo passou, as experiências vieram e fui apresentada a outra ideia de felicidade. A gratidão.
Li em algum lugar que esta é a maior conexão com o divino que podemos ter. Gastamos nosso tempo e energia procurando a felicidade, lutando por ela e não percebemos o grande nível de auto centramento contida nessa busca frenética. E muitas vezes chamamos de felicidade o que, na verdade, é apenas prazer.
A gratidão, ao contrário, só nos pede olhos para ver. Comece pelo básico: se está respirando e tem consciência disso, já pode começar a agradecer. Tem uma casa para morar e comida para matar a fome? Família? Filhos? Trabalho? Amor? Amigos? Saúde? Momentos de lazer? Capacidade de aprendizado? Vive longe de zonas de conflito ou de desastres naturais? Basta olhar com amorosidade para tudo o que normalmente ignoramos e enxergaremos a abundância ao nosso redor. São muitos os motivos para agradecer.
De repente teremos mais energia para buscar aquilo que desejamos, mas com alegria e não com a ansiedade de quem só se sentirá feliz se conquistar isso ou aquilo.
Se não acredita nisso, tente praticar a gratidão a partir de hoje. É preciso ir do mais simples ao mais complexo. Provavelmente o começo vai ser estranho porque o coração pode já estar revestido de tefflon e talvez não haja a percepção de que uma cama confortável é privilégio neste mundo onde uma em cada dez pessoas, ou 767 milhões, sobrevivem com menos de US$ 1,90 (ou R$ 7,0) por dia.
Aos poucos vamos percebendo que nada nos falta, que a tal felicidade sempre esteve do nosso lado e que tudo é uma questão de ponto de vista.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Refletir não é pirar.


A essência da vida é a volatilidade. Ela pega fogo e esfria, cresce e se retrai. Um sobe e desce de labaredas estimuladas por tantos fatores ao nosso redor nos queimam ou nos deixam em cinzas. Podemos ficar ali no meio, fingindo que tudo é acaso e vivendo como quem mata no peito o que vier, seja a bola da partida ou o cocô do passarinho. Ou podemos sentar e observar, sabendo que em alguns momentos o chão vai estar quente e em outros estaremos cobertos de pó.

Eu penso demais, acusam-se algumas pessoas. Mas essa capacidade de ater-se aos diversos aspectos de um fato, analisá-los atentamente e tentar enxergar algum sentido em tudo não pode ser perda de tempo. Estranho mesmo é quem se acanha nas reflexões e acha que tudo é assim mesmo.

E quando acreditamos sinceramente que a natureza é perfeita, Deus é maravilhoso e que devemos acreditar na vida, esse refletir constante acaba sempre se balizando na ideia de que tudo o que acontece é para o nosso bem, é porque precisamos, é necessário para nossa evolução, e vai contribuir sim para um fim maior. Isso faz com que cheguemos a respostas que trazem paz para nossa alma. 

Genial.

Ou alguém vai negar o quanto aprendeu com as situações mais duras, por menos esperança que sentisse enquanto estava lá, mergulhado em sofrimento?

Não sejamos infantis pensando que todo o azar do mundo foi direcionado a nós porque uma porta se fechou na nossa frente. Uma porta pequena, estreita, de passagem tortuosa e que nos levaria a um ambiente que nem ia satisfazer o coração. Aproveito para apresentar o orgulho, essa pestinha que está presente no nosso rol de sentimentos e se incomoda demais com qualquer perda, mesmo que de algo que nos faria mal.

Vamos juntos enxergar além, tanto desse bendito orgulho quanto da ideia de que refletir demais é pirar. Se nos permitirmos alguns momentos de devaneios, de elucubrações cheias de será e talvez, perceberemos que tudo tem um porquê e ele, geralmente, é lindo.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Não orna mais.


Perceber que não nos importamos mais com o que já alegrou a nossa alma é melancólico. Logo em seguida vem a leveza decorrente da real indiferença, e isso se soma a uma sensação de alegria. Oba, diz o ego. Mas antes, o desconforto. É estranho admitir que algo que já foi muito valioso já não orna mais.

Há sempre uma grande batalha quando algo vai partir da nossa vida. Apegados, tentamos segurar o que não deveria mais estar na nossa vida e que, muitas vezes, já partiu. Lutamos pela sombra do que foi porque é doloroso perder, e vivemos um luto por isso.

Mas o tempo, sábio como só ele, ignora nossos apelos e segue inabalável, como se nada tivesse acontecido. Lamentamos, tentamos ressuscitar e nos angustiamos pelo que já não é. E, olhando bem, fica nítido que nosso lamento não é pela ausência de alguém, ou de alguma coisa, mas apenas a saudade que sentimos.

Somos movidos a sentimentos. O que gostamos, do que não gostamos. Isso nos define. Encontramos alvos das emoções a eles dedicamos tempo e expectativas. Observe. É por isso que nos enlutamos, por esse sentir que é obrigado a despedir-se de um objeto de desejo e sente a sua inutilidade momentânea.

De repente, algo que foi estrutural já não faz mais parte da gente. E o que se faz com o espaço vazio que fica?

Não o preencha.

Comece assim.

E prepare-se para repensar sua maneira de existir.

Só uma nova forma de se relacionar, de agir, de existir, pode ser a resposta correta para o fim de um sentimento. Se apenas preenchermos o espaço vazio, continuamos na mesma e isso é muito confortável.

O melhor é aproveitar a oportunidade para mudar a forma de estar no mundo. É bem mais difícil. Exige esforço. Algum tempo. Mais do que geralmente estamos dispostos a empregar. Mas a eficácia é maior.

E nesse time to think, podemos perceber que, talvez, quem sabe, o problema não tenha sido aquela pessoa que foi embora, mas a que ficou. Eu. Nós. A nossa forma de estar no mundo. Sai alguém, mas outras chegam e os problemas persistem.

E aí surge uma ironia.

Ao decidir afastar da sua vida quem te faz mal, talvez seja relevante incluir-se nesta lista.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Dever. Não poder.


É um erro esperar que você decida o que fazer da sua vida quando já sei que isso não me incluirá.

O melhor seria desistir de vez e partir, mas não sei pra onde.

Uma relação que me tira o norte. Sofro.

Minha vida não anda lá muito bem. Fato.

Você é mais um problema insolúvel que me convida ao conformismo.

Como inimigos invencíveis que nos fazem cogitar juntar-se ao seu bando para que a guerra finde.

Porém, algo dentro de mim me importuna e não aceita menos do que mereço.

Um projeto de amor próprio que resiste, mesmo soterrado em covardia e medo.

É uma voz muito suave, mas chacoalha tudo como o rugido da mais feroz das bestas.

Eu deveria. É a frase que mais repito mentalmente.

Eu não consigo. É a verdade mais dura de admitir.

sábado, 24 de março de 2018

Viva e deixe viver


Viva e deixe viver.

Uma das lições que a vida insiste em me ensinar.

Ocupe-se com o que depende de você. O que não é seu, ou não está sob sua responsabilidade, não lhe diz respeito e não deveria tomar sua atenção. Consigo imaginar as nuvens do céu tornando-se escuras e uma voz trovejante recitando repetidas vezes essas palavras.

Deixar ir é sabedoria posta em prática. Aquele papo de cultivar o jardim ao invés de tentar capturar as borboletas também. Será que a vida é um saco de clichês? Às vezes, me parece que sim. Mas não nos enganemos, isso não significa que as coisas seguem roteiros.

Viver é lutar.

Não me refiro àquele estado em que apenas existimos diante da realidade, sem fincar os pés no chão, bolando de um lado para o outro ao sabor de qualquer solavanco mais intenso. Trato da vida. Aquela tal, com boletos a vencer, nossos próprios cuspis caindo em nossa própria testa, respiração ofegante a maior parte do tempo e braçadas firmes, mesmo que contra a correnteza.

As pessoas estão enchendo os consultórios dos mais variados psi, psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, porque suas fórmulas não surtem efeito. Nem religião, nem curtição, nem malhação. Nem sim e nem não. A vida é bem mais que isso, ou aquilo que disseram ser o certo. E não há sujeito tão intolerante à incerteza quanto o dito ser humano. O pobrezinho batalhou para ter tudo sob controle, criou listas e listas de 10 coisas mais importantes a se fazer sobre qualquer coisa, para, no fim das contas, perceber-se perdido na inexorável imensidão de possibilidades.

Essa dança, tanto macabra quanto bela, das incertezas é a vida. Apenas isso. O ir e vir diante de erros e acertos, o cair e levantar, a coragem para gargalhar no final, ou apenas desabar. Não tem muito mais que isso, além da vontade genuína de fazer dar certo, sabendo que há grandes chances do contrário acontecer.

Pronto.

É com esta realidade que convivemos.

Podemos cair no choro, ou podemos sentar e apreciar a beleza presente nisso tudo, antes de levantar e ir em busca da mais nova aventura, aceitando os riscos e admirando o que se vive durante a travessia. No fim das contas, o caminhar é a única certeza que temos.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

A espera.

Eu escolhi esperar.

Mesmo ansiosa por saber o que virá, recolho minha necessidade de respostas e vivo o presente da melhor forma possível, tentando preencher de amor cada poro do meu ser, porque é assim que se deve viver e é isso o que a vida espera de mim.

Decidi aguardar.

A minha pressa atrapalha o meu processo e de todos ao meu redor, porque o tempo é de cada um e essa demora é, na verdade, a orquestra da existência tocando a sua melhor sinfonia, mesmo para ouvidos apegados à dor e olhos incapazes de enxergar a beleza da penumbra que a falta de sol provoca enquanto seus raios não surgem queimando as pupilas.

É melhor não me apressar.

O tempo do bolo, o ponto da massa, o momento exato do golpe de mestre precisam ser respeitados se queremos o melhor. Não é a minha infantil busca por respostas que fará cada tudo se acelerar. Essa criança mimada precisa compreender a dança que acontece exatamente neste momento e que um pisão é desnecessário se cada coisa tem seu momento certo para dar o próximo passo.

Há que sentar e admirar.

Há tempo de plantar, tempo de colher, tempo de saber e de apenas cuidar. Deve-se catar as lagartas para que não destruam a plantação, verificar se cada planta está recebendo a devida quantidade de água em suas raízes, se os cestos precisam de reparos para o momento da colheita, que certamente virá, ou se os bichos estão sendo alimentados e as pessoas, sendo amadas.  A colheita, o saber, é apenas um momento da jornada.  A vida é bem maior que perguntas e respostas. A vida é o agora nos convidando a fazer o melhor que podemos.

O quando será sempre um grande mistério.


Enquanto não se revela, sigamos amando. 

sábado, 13 de janeiro de 2018

Mortes-em-vida

Há um morrer e renascer constante na vida. Procure aprender essa arte.

Pode haver poesia em suas mortes-em-vida, apesar de doloridas, como devem ser. A contemplação dos mistérios do mundo e o embasbacar-se com a beleza oculta em fatos insuportáveis aos olhos de quem não sabe a importância do deixar ir.

Seu peito vai ser atingido no meio e haverá sangue, muito sangue. Paúra num primeiro momento para, logo em seguida, perceber que são apenas excessos sendo drenados para que o corpo possa renovar as próprias forças.

Observe todos os cortes na sua pele e perceba que não havia como sobreviver por mais tempo naquelas condições. Viver assim por quê?! A sabedoria da vida é imensa e ela prefere descartar o inútil a permitir que a energia vital seja desperdiçada sustentando um organismo estropiado, caduco.

O último suspiro se prolongará por muito tempo, mais do que julgam necessário num primeiro momento. Haverá um luto, seu e dos seus. Todos sentirão a sua falta e se julgarão impotentes diante da sua paralisia. Isso frustra. Tenha paciência com eles. E você, entediar-se-á diante da letargia que uma cabeça acelerada e paranoica pode provocar. Paciência consigo também, por gentileza.

E há também os vermes. Eles chegarão para roer cada pedaço seu. Assusta, confesso. A pele enrugada por tantos solavancos, as unhas quebradas pelas batalhas e que perderam a capacidade de se regenerar, os órgãos enegrecidos e purulentos por feridas reabertas tantas vezes em vida, o miolo mole e cansado. Tudo vai virar comida enquanto constata que não há força em seus dedos para dar um peteleco naquelas criaturas miúdas que se servem de você sem cerimônia.

Paciência, novamente. Depois de cada mordiscada em suas entranhas, o novo surge. Assim, instantâneo, ou poucos minutos depois. O coração pode custar um pouco mais, então não se assuste com o oco no peito. E o cérebro vai entrar em curto circuito enquanto devorado, podendo haver apagões. Troca de fiação gera esse caos temporário.

Por sua vontade tudo continuaria da mesma forma de sempre: pus, marcas, feridas, miolos moles. Mas a vida não obsta da sua missão e vai impor muitas mortes em sua vida! É assim que funciona. Acostume-se a isso.

O novo surge quando o velho dá lugar a ele. Não antes, não quando queremos. E sempre haverá o que aprender e o que deixar pra trás.

É preciso ter a coragem de entregar-se aos ciclos e crer que a vida é mais sábia do que nós, superficiais e medrosos demais para promover, por vontade própria, todas as remoções de tecido morto necessárias.

Podemos nos agarrar à massa podre por medo da dor. É possível. Já encontrei muita gente impregnada do cheiro do chorume, em suas roupas, palavras, pensamentos, sentimentos, ações. Insuportável. Dignas de pena.

Um morto em vida resseca o que encontra pela frente. E sua visão torna-se turva. É muito grave. Gradativamente, perde a capacidade de reconhecer o amor nos detalhes e deixa de confiar. Triste.

Por isso, nos entreguemos. Confiemos. Vivamos a beleza dos ciclos de morte-em-vida. É assim que tudo se renova no mundo, e há de ser assim em nós também.  

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

E ela foi

E ela foi.
Não sem um porquê. Muitos
Tão intensos quanto a força que gerou aquele impulso de partir.
Então, ela virou e foi. E não desfez a volta. Sequer olhou para trás.
Não se sabe qual fluxo de pensamento a arrancou daquela roda da fortuna com a qual estava habituada.
Nem se do peito ou da cabeça saiu a ideia que foi vivida até o fim.
Ninguém olhou na sua direção.
Porque não esperavam que partisse.
Aguardavam o seu retorno, a rotina. O apego não pairava apenas sobre ela.
E aonde dela foi?
Uma questão sem gabarito.
Na verdade, pouco importa.
Seu feito heroico está no ir, no largar, na falta de despedida e de cartão postal na chegada.

Porque quem tem essa coragem, sempre chega onde quer.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A hora chega.

Preciso admitir. Eu não me amava.
Bastava que alguém acenasse com alguma atenção para que eu desistisse dos meus planos.
Bastava que alguém me enxergassem e seria exatamente como viam.
Moldava voz, moldava gostos, moldava personalidade. Modelagem ao gosto do freguês.
Não sabia quem era, pois nunca pude ser.
Atrevida, maluquinha, santa, compreensiva. Sempre às voltas com o que queriam de mim.
Mas tem uma hora que chega.
Chega de me moldar!
Chega de me adaptar!
Chega a hora de finalmente viver conforme minhas próprias regras.
A alma se revolta e o corpo trava. A mente entra em crise e o coração apenas sangra.
Cheguei a este ponto do caminho.
Como será a estrada? Não tenho ideia.
Apenas chegou o momento de não olhar para trás.