terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Cuidemos de nós...

O trecho de uma matéria sobre “detox emocional” que li outro dia ainda reverbera na minha cabeça. O autor contava que havia sido enganado pelo seu contador e que isso o deixou muito abalado. Superado o choque inicial, ele passou a analisar o próprio comportamento e conseguiu enxergar a sua contribuição para o fato. E é neste momento que ele compartilha seu insight, o tal trecho que me fez refletir. Dizia assim:
“... meu descaso com certos aspectos materiais da vida, minha ingenuidade infantil (que é bem diferente de inocência, porque revela apenas imaturidade), meu desejo eterno que alguém cuide de mim sem que eu precise estar atenta e alerta.”
O grifo é meu. Quero destacar a parte que mais me chamou atenção.

Todos queremos o melhor da vida. Se possível, apenas as alegrias. Mas sabemos que é impossível, inviável eu diria. A vida é isso mesmo, esse monte de sobe e desce que acontece por motivos diversos, mas tem a duração ou a intensidade que nós permitimos. Isso, pra mim, é autorresponsabilidade, essa sabedoria de encarar as durezas, ser grato e aproveitar as alegrias, mas sempre à frente, respondendo por tudo.

E acredito que é este o caminho para nos tornamos realmente adultos. Não se trata apenas de ter o próprio dinheiro, ou tomar as próprias decisões. Isso pode ser vivido por pessoas tão dependentes quanto uma criança. A grande questão é como isso tudo se desenrola, ou seja, como arcamos com as consequências. Implica em ser o único responsável por tornar a própria vida boa, interessante. E estar disposto a pagar esse preço, porque a própria felicidade é como o querido Mastercard…

Muitas vezes buscamos nas relações a solução para nossas questões emocionais. O parceiro fica incumbido de nos fazer sentir desejados e nos alçar à posição de indivíduo mais importante da vida. Preenchemos nosso tempo com a vida do outro, vivendo para o outro, mas não conseguimos compreender que aquela relação é apenas um aspecto da nossa vida.

Um fato bastante irônico me ocorreu outro dia. O Facebook trouxe a lembrança de fotos de ex namorados meus, todas postadas no mesmo dia, mas em anos diferentes. Que data poderosa, podemos pensar! Mas a questão principal ali, o que me fez refletir, não foi a lembrança dos que foram, mas de quem continua lá: eu.

Sobre vários aspectos da minha vida, eu tenho essa crença de que o outro precisa ou me suprir ou se responsabilizar e pronto, só me resta sentar em berço esplêndido e esperar ser nutrida. Não por acaso esse trecho  da matéria piscou na minha frente em luz neon. A carapuça serviu, sim. Eu vivo isso em muitas áreas.No amor, quero ser ratificada e posta no pedestal. Muitas vezes não percebo, convenientemente, diga-se de passagem, que eu sou a única responsável por mim e por tornar a minha vida mais interessante.

Eu sempre almejei um conforto: ter alguém que cuidasse da minha casa. Imaginava uma conta corrente com uma idealizada secretária que resolveria não apenas o cardápio do dia, mas a manutenção dos móveis da casa e se preocuparia em manter todas as contas em dia. Sim, queria alguém cuidando da minha vida. E meu dinheiro seria o dinheiro dela. Nada mal. Muito justo.

Cuidar da própria casa e responsabilizar-se por ela em seus detalhes ultrapassa em muito a decoração de um ambiente. Isso inclui um trabalho pesado que vai tomar a maior parte do tempo: cozinhar a batata doce, lavar a louça diariamente, esperar o encanador ou o técnico da TV um dia inteiro, consertar oq quebrar rapidamente. Não tem festa neste momento, e no geral é tudo muito solitário. Mas é a nossa casa, a nossa vida, nos diz respeito. Apenas a nós mesmos.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Aceita que dói.

Meu assunto principal na terapia tem sido o passado. Revi e reavivei sentimentos e fatos porque me dei conta de que as minhas dores do presente são feridas abertas há tempos. Então, tive que olhar lá pro fundão da minha história.
E no meio dos fechamentos de gestalts percebi que estava acumulando mágoas por não aceitar que a vida é isso mesmo: dura, injusta, difícil, mas vale a pena.
Poderia acabar o texto por aqui, pois foi assim que me senti quando a ficha caiu: sem ter mais o que ser feito. Ora. Se algo é como é, e cada um que lide com isso como conseguir, o que mais pode ser dito? Ou melhor, a que se pode reivindicar?

Demora um tempo para perceber, mas quebrar a cara, no geral, é parte da vida.
Nada de novo. Clichê. Isso já é de conhecimento/patrimônio público.
Mas um aspecto passa despercebido. As dores vêm junto. Então viver é também carregar feridas abertas e sangrar. Faz parte. Não dá pra fugir disso. É parte do todo.
Já ouvi muito se falar da dança da vida, “vamos dançar conforme a música” alguns dizem. E acredito que abraçar os sofrimentos que vierem e chorar suas lágrimas faça parte desse repertório de “canções” que ouviremos até o fim dos nossos dias.

As decepções tendem a se acumular, porque é tudo muito duro sempre, não importa quantas vezes aconteça. E em alguns momentos nos vemos soterrados por todos os tipos de mágoas e a vontade desistir dá “no corpo todo”. (“alguém pare o mundo pra eu descer?” passa a ser o mantra diário). Em vão, tudo continua a acontecer e só temos uma alternativa, que é continuar.
Pois é, isso faz parte.
É tão certo quanto a morte, ou que o sol vai nascer todo dia e que as plantas fazem fotossíntese.
Vai doer. Algumas vezes, muito.
Ponto.

Sou bem sonhadora e otimista. Não sei como funciona a cabeça de uma pessoa negativa, mas a minha sempre enfeita com corações tudo o que decido fazer. Mas isso é um grande problema porque estou sempre às voltas com frustrações e sofrimentos.
Era o que estava tratando na terapia, os vários coraçõezinhos despedaçados que se acumularem sob os escombros dos meus sonhos. Aquilo tudo doía e doía cada vez mais. E eu me negava a suportar, porque era muito foda mesmo…
Perceber que tudo faz parte da vida me ajudou a aceitar.
Sabe o “aceita que dói menos”? Pois é, apliquei.
E tudo dói. Às vezes muito.
Mas, às vezes, é tudo lindo.
E algumas vezes eu choro no banho.
Noutras eu durmo tranquila.
E agora eu tenho certeza.
Tô viva.
E é isso.
Ponto.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Embates

Existem muitos “morreres” e “renasceres” numa relação a dois.
A cada embate, em especial, morre uma versão de mim que desconhece aspectos de si e do outro, que desconhece a própria capacidade de se superar, ou a vastidão da própria sombra. Vai-se mais um pedaço da (infinita) ignorância.
E (re)nasce um outro de mm, mais consciente de si e do outro. Por mais doloroso que seja o confronto, mais conhecedor do ser humano e das suas limitações nos tornamos.
Não há como crescer sem se relacionar. “O inferno são os outros”, diria Sartre. O certo é que os outros são, no mínimo, espelhos onde vemos refletidos o melhor e o pior de nós mesmos. Somos todos humanos.
Nesses contatos, faiscantes ou não, nos religamos depois com mais força e assertividade. As palavras foram ditas, as questões, resolvidas, os limites foram colocados e o peito foi esvaziado.
Novas batalhas podem acontecer, mas nunca iguais às primeiras, pois os sujeitos não são mais os mesmos.
Essas transformações acontecem inevitavelmente.
E se decidimos nos manter “estáveis”, tudo se torna pesado, duro. O outro é a faísca que toca essa gasolina chamada “alma”.

E aqui eu absolvo quem vai-e-volta. Nessa aparente estagnação, o indivíduo está aprimorando seus valores, sua força interior e sua capacidade de assumir as próprias escolhas. Até que a definitiva vem, junto com um novo indivíduo. Mais humano, (im)perfeitamente humano. 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Dor, revelação e cura.

Ontem vivi uma experiência incrível. Mais uma desde que decidi me investigar mais profundamente, além das dores do momento...
Eu não imaginava ter tantas e tão profundas feridas na alma. E, também, que viessem de tão longo tempo, e que tivessem sido abertas por pessoas tão especiais. Enfim, tenho puxado para a superfície machucados que estavam lá no fundo da alma...
Isso é tão importante, olhar com lupa pras nossas crises. E tudo começou quando percebi que minhas dores do momento são, na verdade, feridas antigas reverberando porque alguém enfiou o dedo nelas. Ciúme não é bem ciúme, mas rejeição; medo não é bem medo, mas reprovações passadas; grosserias são sabotagens e excessos são carências. E por aí vai.
E ontem eu olhei novamente pra elas.
Acredito que, por estar buscando, a vida tem me revelado cada vez mais aspectos sobre mim.
Ou, estou conseguindo enxergar o que estava dentro de mim. Afinal, as verdades só aparecem quando estamos prontos para ver.
E a minha conclusão é só uma: apeguei-me às dores da vida e passei a tê-las como paradigma. Frustrações acontecem a todo o momento, a todos. Porém, podem ser intensas demais, ou virem num momento de fraqueza, a ponto de se tornarem inesquecíveis e aí não conseguimos ressiginificá-las tão facilmente. Elas ficam lá, como escudos, armas de defesa contra o mal, que parece imperar no mundo.
Mas... isso é só um aspecto da vida, e agora me sinto cada vez mais livre para observar o outro lado, o bom. Há muito que apreciar na vida, e as dores são apenas fragmentos, que podem ser deixadas de lado. E é o que estou disposta a fazer, a não mais temer...
Há amor em SP, no Ceará, em Rondônia e no mundo... E eu to afim de olhar só pra ele...


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Acredite na vida!

Acredite na vida! Essa frase é uma espécie de mantra pra mim. Sou católica batizada, apesar de não ir a missa por falta de vontade há muito tempo. Gosto muito da doutrina kardecista, apesar de não ir ao centro espírita por falta de vontade há muito tempo. Também não vou há muito tempo, por falta de vontade, a um encontro de budistas. E tem mais um monte de lugar espiritualista e/ou religioso que não vou há muito tempo por falta de vontade.
Muita gente fala isso e concordo demais! Espiritualidade não tem haver com estar em templos, frequentar grupos. Pra mim, trata-se de sentir, acreditar e ser grato. Sentir a vida, como ela é, perfeita na sua (falsa) imperfeição. Acreditar que tudo o que acontece é para o nosso desenvolvimento pessoal, faz parte de um propósito maior, além de ser o melhor para nós. E ser grato por isso, por fazer parte disso tudo e, principalmente, por enxergar toda essa beleza.
Lá nos templos, nas rodas de oração e nos grupos de estudo, vamos beber do conhecimento. Mas aquilo tudo só se torna graça divina quando afeta nosso agir e nosso pensar.

Acho isso... Simples assim... Eu sou a igreja. Nada faz sentido se não mudar a mim. Tudo isso existe para me transformar em alguém melhor. Obrigada papa pop pela sua ajuda, mas pode deixar que a minha igreja está aqui, firme e forte...

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O caminho é de cada um.

Assumir o próprio caminho é o maior desafio de nossas vidas. Começa por descobri-lo. Existem alguns tão exaltados pela nossa sociedade. Caminhos estes que nossos pais, amigos, cônjuges, professores, mestres e tantas outras pessoas nos recomendam de tal forma que nos traz certa segurança optar por eles: são aceitos por todos e, no caso de não dar certo, temos a quem culpar, né?!
Buscar o próprio caminho exige sair da zona de conforto numa realidade em que tudo é desconfortável. Afinal, ganhar o próprio dinheiro por si só exige muito suor.
Seguir a fórmula dos outros pode até nos trazer prestígio e dinheiro suficiente para ser visto como bem sucedido. Mas não traz satisfação, não traz alegria toda manha, não traz gana e vontade de ir além, pois não satisfaz nossa alma. Pelo menos não por muito tempo...
Parece bobo, parece romântico, mas dê uma espiada no tanto de gente que, do alto de suas carreiras bem sucedidas, piram na batatinha e se permitem um novo caminho. “Chega uma hora que chega”. Ou seja, em algum momento da nossa jornada, essa coisa dentro de nós (que nada mais é do que nós mesmos, mas nus em pelo, apenas intuição e ligando a mínima pra sociedade) vai gritar um BASTA tão alto que a gente só vai conseguir ouvir as próprias queixas e nada mais! Afinal, não estamos aqui para ter sucesso, uma família margarina ou uma barriga-tanquinho pra chamar de sua. Estamos aqui para crescer, nos desenvolver e ser instrumentos de obras muito maiores. De Deus? Pode ser... Não sei como nomear, mas sei que estamos juntos nessa: eu, nós e essa coisa enorme que nos guia e é só amor...

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Pronta para recomeçar.

Uma vontade imensa de recomeçar, é o que estou sentindo hoje.
Não me refiro a recomeçar do zero, como aqueles que precisam jogar tudo e se reconstruir com uma leva de tijolos novinhos, nunca usados, sem uma lasquinha faltando. Não. Não é isso.
Quero partir deste ponto exato onde estou, esse é o meu começo. Caminhei até aqui e, no caminho, ganhei cicatrizes que se enchem de poeira e impermeiam a minha pele. Rachei a sola dos pés e eles agora são aderentes ao solo e, ao mesmo tempo em que não me deixam derrapar, me permitem um arranque potente. Calejei as mãos e elas ficaram grossas, ásperas de uma maneira tal que não tem puxão que me faça soltar a corda. Quando agarro algo, é meu! A testa está enrugada, e a água da chuva escorre por ela sem atrapalhar a visão.
Então, estou pronta para recomeçar a caminhada.
A direção eu já sei: para o meu mundo, minha casa, o lugar ao qual pertenço. Com muita força nas pernas e sem olhar para trás.
Esse mundo eu sei mais ou menos pra que rumo fica.
Como ele é, eu ainda não sei, mas é bom, é meu. Só de olhar pro horizonte, já sinto meu coração em paz e chegando em casa.