terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Embates

Existem muitos “morreres” e “renasceres” numa relação a dois.
A cada embate, em especial, morre uma versão de mim que desconhece aspectos de si e do outro, que desconhece a própria capacidade de se superar, ou a vastidão da própria sombra. Vai-se mais um pedaço da (infinita) ignorância.
E (re)nasce um outro de mm, mais consciente de si e do outro. Por mais doloroso que seja o confronto, mais conhecedor do ser humano e das suas limitações nos tornamos.
Não há como crescer sem se relacionar. “O inferno são os outros”, diria Sartre. O certo é que os outros são, no mínimo, espelhos onde vemos refletidos o melhor e o pior de nós mesmos. Somos todos humanos.
Nesses contatos, faiscantes ou não, nos religamos depois com mais força e assertividade. As palavras foram ditas, as questões, resolvidas, os limites foram colocados e o peito foi esvaziado.
Novas batalhas podem acontecer, mas nunca iguais às primeiras, pois os sujeitos não são mais os mesmos.
Essas transformações acontecem inevitavelmente.
E se decidimos nos manter “estáveis”, tudo se torna pesado, duro. O outro é a faísca que toca essa gasolina chamada “alma”.

E aqui eu absolvo quem vai-e-volta. Nessa aparente estagnação, o indivíduo está aprimorando seus valores, sua força interior e sua capacidade de assumir as próprias escolhas. Até que a definitiva vem, junto com um novo indivíduo. Mais humano, (im)perfeitamente humano. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário